Venda de álcool gel aumenta 86% em rede de lojas em Goiânia

A venda de produtos que ajudam a evitar o contágio pelo vírus H1N1 aumentou consideravelmente no mês de março, em comparação com o ano passado, quando não ocorreu surto da doença no Estado. Segundo a rede de farmácias Droga Raia e Drogasil, a venda de máscaras foi 173% maior e de álcool em gel subiu 86% em Goiás. Na rede Pague Menos, o aumento da venda de álcool gel foi de 49% e a venda de máscaras apresentou retração de 2,3%. Em todas as farmácias contatadas, a informação é que os produtos estão disponíveis e que há empenho para que não falte nenhum deles.

Mas nas ruas, a procura tem demorado para ter sucesso. A pastora evangélica Sonara Cruvinel, de 43 anos, disse que estava com dificuldades para encontrar o álcool em gel e acabou comprando em uma padaria. Ela explica que já havia procurado o produto em três redes de farmácias, no entanto não tinham o produto disponível para a comercialização. Sonara relata que o álcool em gel não era algo quer fazia parte da sua rotina. ?Agora faço o uso diário pelas circunstâncias que estamos passando?, explica.

A presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF), Lorena Baía alerta que apenas o álcool 70% garante assepsia das mãos quando utilizado de forma correta. ?As outras concentrações são utilizadas para outras finalidades, que não a assepsia das mãos?, destaca. A estudante de farmácia, Mariah Carla, 19 anos, relata que faz uso rotineiro do álcool em gel. Ela ressalta que ser graduanda da área da saúde é fator de incentivo. Moradora da região do Bairro Goiá, a estudante explica que é fundamental a utilização do álcool, mas que está cada vez mais difícil encontrar o produto. ?Já procurei bastante, somente no meu bairro, já olhei em quatro farmácias?, esclarece Mariah.

O auxiliar administrativo Lucas Cardoso de Lima, de 21 anos, foi encarregado de encontrar o produto para distribuir na empresa onde trabalha. Ele disse que procurou em farmácias, mas a sugestão do chefe foi procurar em supermercados. ?Estive em dois locais e não encontrei o de concentração 70%. Vou continuar a procura, mas estamos cobrando dos funcionários lavar as mãos com água e sabão sempre que possível, como as autoridades em saúde tem informado pela imprensa?, relata.

Presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Nelson Antonino Alexandrino Lima diz que os supermercados ainda não apresentaram problema em encontrar ou ofertar o produto. Ele destaca que a maior parte da procura pelo produto em supermercado não é, em outras épocas, pelo produto para assepsia das mãos, mas para limpeza ou outro serviço doméstico. ?Muitas unidades colocaram o produto em evidência, para facilitar a procura do cliente?, diz o presidente.

CRF alerta para necessidade de uso racional de Tamiflu
A procura pelo medicamento Tamiflu também sofreu aumento nas farmácias. Mas como esse produto não costuma ficar disponível para venda, não é possível quantificar a variação. O motivo é que ele, geralmente, é distribuído gratuitamente quando há a indicação médica. Dessa maneira, não é interessante para a farmácia manter um medicamento com custo relativamente alto nas prateleiras. Existe o Tamiflu vendido na internet por até R$ 250 a caixa.

A presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF), Lorena Baía, destaca que o Tamiflu é um dos poucos medicamentos capazes de atuar contra o vírus influenza, mas ele não deve ser utilizado sem a indicação. ?É muito importante o uso racional. É importante que os profissionais de saúde sigam protocolos para prescrição dele, porque ele não é um antigripal comum, mas um antiviral. Então, esse medicamento tem indicação para paciente com síndrome gripal com fator de risco para complicação ou síndrome respiratória aguda grave e que fazem parte do grupo de risco?, explica.

Fazem parte do grupo de risco: gestantes, idosos, crianças menores de 5 anos, portadores de doenças crônicas e imunodeprimidos?, afirma.

Lorena destaca que o uso do Tamiflu sem que haja indicação clínica pode levar à resistência ao vírus, que pode sofrer mutação e passar a ser mais resistente aos efeitos do medicamento. ?O uso indiscriminado pode levar ao desabastecimento do medicamento nas unidades de saúde e pacientes com real necessidade de uso pode ir a óbito por falta do tratamento. Então um problema de saúde pública pode ser ocasionado em função dessa busca desenfreada pelo medicamento nas farmácias e unidades de saúde?, relata.

Fonte: Clip News