Sementes piratas põem em risco qualidade da produção agrícola

Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS), estima-se que 30% de toda a semente de soja plantada no país não esteja em conformidade legal, o restante segundo os dados seriam sementes piratas.

A Associação Científica de Profissionais em Ciência e Tecnologia de Sementes (Abrates) afirma que a prática do uso de sementes piratas pode colocar em risco a agricultura nacional.

“Semente não é apenas um grão que germina. A semente tem características genéticas, físicas, fisiológicas e sanitárias que a distingue de um simples grão que tenha potencial de germinação, característica da semente pirata”, explica o presidente da ABRATES e pesquisador da Embrapa Soja, Francisco Krzyzanowski.

Pirataria de sementes em SC

Em Santa Catarina a cultura mais afetada pela pirataria de sementes é a soja. A APROSESC (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do Estado de Santa Catarina) estima que cerca de 35% das lavouras de soja catarinense tenham sido cultivadas com grãos de origem desconhecida na safra 2017/2018.

Segundo o presidente da entidade, Marcelo Carlos Fortes Ribeiro, as perdas diretas e indiretas causadas pela ilegalidade somam um prejuízo de aproximadamente 146 milhões de Reais ao ano, sendo 63 milhões a perda direta da cadeia produtiva de sementes.

Muitos agricultores que optam pelo uso de sementes piratas, ou por sementes salvas para uso próprio, pensam estar economizando por estarem deixando de comprar o insumo. “Entretanto, esses produtores deixam de produzir mais de um milhão de sacos por safra, decorrentes da perda de produtividade e do baixo vigor de suas lavouras”, alerta Ribeiro.

De acordo com o presidente da APROSESC, a produtividade média em Santa Catarina saltou de 44 sacos por hectare no ano 200 para 60 sacos por hectare em 2017. “Esse incremento se deve principalmente ao desenvolvimento de novas cultivares com alto potencial produtivo, o que só é possível graças às pesquisas”, afirma Marcelo Carlos Fortes Ribeiro.

Um município se destaca negativamente no Estado. Em Canoinhas, a taxa de utilização de sementes legais e de apenas 30%, enquanto nos demais municípios a média é de 70% de acordo com a APROSESC.

O engenheiro agrônomo Valmir Pavesi, secretário executivo da APROSESC, entende que a prática é corroborada por um viés cultural da região. Muitos agricultores, diante de uma lavoura com bom aspecto visual, guardam sementes e vendem para os vizinhos, partindo do pressuposto de que a próxima geração irá reproduzir os caracteres da então safra.

“O agricultor que opta por essa prática perde em sanidade, está sujeito a misturas de campo decorrentes do manejo inadequado, já que estes grãos são armazenados sem qualquer critério e classificação”, alerta Pavesi.

Legislação e certificação

As cultivares certificadas são protegidas por direitos de propriedade intelectual, com regras definidas pela Lei de Proteção de Cultivares, que foi sancionada em abril de 1997.

Como denunciar?

As denúncias podem ser feitas pelo site da ABRASEM (Associação Brasileira de Sementes e Multas). A pirataria de sementes é crime e a pena é de detenção e multa.

Fonte: AgroPlural