O início da era dos smartphones dobráveis

Há muito se fala na indústria da tecnologia sobre o uso de telas flexíveis em dispositivos móveis. Primeiro vieram as telas curvas, que já são praxe nos aparelhos topo de linha da Samsung, mas agora começam a chegar ao mercado os primeiros smartphones dobráveis. A expectativa é que a gigante sul-coreana apresente os primeiros produtos do tipo na próxima CES, que acontece em janeiro, mas uma start-up pouco conhecida saiu na frente com um modelo que funciona como um smartphone quando dobrado e como um tablet quando aberto.

— O smartphone dobrável fornece aos usuários de telefones móveis uma experiência diferente, revolucionária, em comparação com os telefones tradicionais — afirmou Bill Liu, fundador e diretor executivo da Royole, no lançamento do FlexPai, no último dia 31. — Ele resolve com perfeição a contradição entre a experiência de tela grande de alta definição e a portabilidade, o que introduz uma nova dimensão à interface homem-máquina. O design do telefone vai mudar para sempre a indústria de eletrônicos, assim como a forma de as pessoas perceberem e interagirem com o mundo.

Na Samsung, o diretor executivo da divisão de Mobile, DJ Koh, sugeriu, no início do ano, que a companhia preparava o lançamento de um “telefone dobrável”. Na semana passada, após a divulgação do último balanço trimestral, o vice-presidente da companhia, Lee Kyeong-tae, voltou a tocar no assunto, informando que a nova interface será apresentada a desenvolvedores na Samsung Developer Conference, que acontece nesta semana.

No domingo, a companhia usou as redes sociais para alimentar as expectativas, publicando uma imagem com o logotipo da marca dobrado. Em entrevista à Reuters, uma fonte informou que a decisão de quebrar o segredo — regra na indústria de tecnologia — foi tomada para permitir que desenvolvedores atualizem seus aplicativos para que eles rodem de forma correta nessa nova categoria de produto.

— Diferente dos nossos produtos de linha, o telefone dobrável é um conceito completamente novo em termos de design e experiência do usuário, o que requer uma abordagem diferente — afirmou o executivo, que preferiu não se identificar. — Antes de entrarmos no mercado, nós queremos compartilhar com os desenvolvedores o que já fizemos até agora e ver o que eles pensam sobre isso.

Para os usuários, essa nova categoria de produto promete a produtividade das telas grandes num aparelho com as dimensões de um smartphone. A tela do FlexPai tem 7,8 polegadas, praticamente o mesmo tamanho da tela do iPad Mini, que tem 7,9 polegadas. As dimensões são de 13,4 centímetros de largura por 19 centímetros de altura, com espessura de 7,6 milímetros e 360 gramas de peso.

No interior, o poderoso chip Qualcomm Snapdragon 8 series, de oito núcleos, com versões de 6 GB ou 8 GB de memória RAM. A câmera tem dois sensores, de 16 megapixels e de 20 megapixels. Chama atenção o fim da câmera específica para selfies, já que os dois lados da tela podem exibir as imagens quando o aparelho está no formato smartphone.

A expectativa é que novidade motive o desejo de compra dos consumidores, mas o preço é salgado. O FlexPai já está em pré-venda, com entregas previstas para dezembro. O modelo mais em conta, com 128 GB de espaço para armazenamento e 6 GB de memória RAM, custa US$ 1.318. Por comparação, o iPhone XS Max, topo de linha da Apple, tem preços a partir de US$ 1.099.

Na Samsung, a esperança é que os aparelhos dobráveis ajudem a recuperar a divisão de celulares da marca, que vem perdendo espaço para outras fabricantes chinesas, como a Huawei, Xiaomi e OPPO. A Strategy Analytics estima que no próximo ano serão vendidos apenas 1,2 milhão de smartphones dobráveis, mas o volume deverá alcançar 64,9 milhões de aparelhos em 2023.

— Primeiro, a Samsung precisa mostrar que os smartphones dobráveis são comercialmente viáveis — comentou Greg Roh, analista da HMC Investment & Securities. — Se eles conseguirem se estabelecer bem o suficiente para encontrarem espaço entre os topos de linha, como as séries S e Note, então os dobráveis poderão ajudar na retomada da performance do negócio de mobile.

Fonte: O Globo