Mercado single ganha força no Brasil

Young man in supermarket comparing bottles of oil, rear view, close-up

O mercado de produtos single vai bem, obrigado. Alimentado por consumidores que moram sozinho e preferem adquirir itens oferecidos em embalagens menores, e visto como potencial por empresas que enxergam, a partir dessa oferta, a chance de conquistar nichos específicos de compradores que buscam praticidade e itens adequados ao seu estilo de vida.

O consultor Eugênio Foganholo entende que nos últimos anos a indústria investiu em produtos para atender esse público. “A evolução foi muito significativa e percebemos a mudança na oferta de produtos in natura e industrializados. E também expandiu para outros setores, além da alimentação, com a comercialização de itens em embalagens menores, como de bebidas alcoólicas e não alcoólicas”.

Ele lembra que quando começou a se falar em produtos single pensava-se, inicialmente, em alimentos, principalmente perecíveis. Ainda que tenha ocorrido avanço no atendimento a esses consumidores, o especialista acredita que ainda é preciso melhorar o mercado de bens de consumo. Mas, por outro lado, observar que o mercado é tão rico e dinâmico, que até no comércio de atacado de autosserviço é possível encontrar kits de produtos de embalagem menor, como de sucos. “Com isso, percebemos que existem vários caminhos de comercialização.”

Ele cita como exemplo clássico e pioneiro no setor, biscoito como club social. E essa tendência de single acabou também por abrir “outras missões de compras”, referindo-se a produtos oferecidos como lanches para quem está em trânsito. “O single abriu os olhos das empresas para o desenvolvimento de produtos que não eram pensados para outros momentos de consumo”, destaca.

Comida pronta

A Vapza, que produz alimentos cozidos no vapor e embalados a vácuo, lançou em março passado a linha single, composta de vegetais e grãos (antes já comercializados pela marca), em porções individuais de 250g. Segundo Enrico Milani, diretor geral, a novidade acompanha a tendência expansionista de produtos que oferecem conveniência e praticidade. “Os consumidores optam, cada vez mais, por alimentos prontos ou semiprontos em pequenas porções e embalagens de fácil abertura e consumo individual”, observa.

A apresentação em embalagens menores, acrescenta, permite também para a empresa ganhar espaço em outro segmento de varejo: lojas em formato express, consideradas um dos canais de compra de conveniência juntamente com o varejo de bairro, de estabelecimentos menores que atendem pequenas “demandas” de produtos saudáveis e forte no setor de flv (frutas, legumes e verduras). “Há uma verdadeira preocupação com a boa alimentação e a Vapza oferece comida de verdade com praticidade. De olho no crescimento deste hábito alimentar e de porções individuais, apostamos na criação da linha que atende o consumidor e o varejista”, ressalta.

Embora entenda que o número de residências com apenas um ou dois moradores tenha crescido a passos largos no Brasil, e não é apenas nos grandes centros, a empresa, por enquanto, tem uma participação da nova linha mais concentrada nas Regiões Sul e Sudeste. No entanto, a indústria planeja lançar, na versão single, produtos já comercializados em outros tamanhos. “Ainda estamos processando o cadastramento nas redes, mas hoje (o single) já representa cerca de 6% dos negócios”.

E para ganhar espaço nas gôndolas, destinadas a itens de tamanhos menores, a empresa aposta no crescimento da base de clientes, alcançando, inclusive, gente propensa a experimentar novidades. A linha single traz o produto exposto, envolto em embalagem transparente, como forma de chamar mais atenção de quem passa por ele.

Questionando sobre a importância do varejo de vizinhança e do atacado distribuidor para fincar bandeira em mais pontos de vendas, Enrico Miranda entende que “muitas” decisões de compra são tomadas no local e que os dois setores são fundamentais para o desenvolvimento dos negócios. “Estar presente, bem exposto e com um sortimento adequado no momento em que o consumidor busca praticidade ao pensar, por exemplo, no jantar na volta para casa, depois de um dia de trabalho, é de suma importância”, diz lembrando que o canal direto, além de atender as demandas acima citadas, permite oferecer opções de SKUs de ticket e porções menores.

Do fast food para casa

Depois de ganhar fama como restaurante de fastfood, a Vivenda do Camarão investe na linha Vivenda em Casa, encontrada no varejo na versão single. Rodrigo Perri, sócio diretor da empresa, entende que trata-se de um segmento em ascensão e com capacidade de potencializar alguns mercados de consumo. “Acreditamos que nosso fortalecimento na distribuição e com o novo canal de vendas devemos nos aproximar muito deste público. Oferecemos uma linha de pratos prontos, em porções individuais e embalagens práticas, bastando apenas aquecer para consumir”, explica.

Cada unidade custa, em média, R$ 16,90. Mas para quem prefere preparar o seu alimento, a empresa vende camarão in natura (já limpos) e empanados prontos para fritar. Tudo a um clique, com entrega em até 48h. “Nossa estratégia é apostar primeiro no estado de São Paulo. Demais regionais estão em estudo para abertura de microfranqueados (que podem ser varejistas) para distribuição do produto dentro dos bairros”.

Presente nas grandes redes de varejo, há cerca de seis anos, hoje a linha é composta por cinco itens. A intenção é crescer a família de produtos com nove lançamentos previstos a partir de 2019, oferecidos individuais de 400g.

A empresa enxerga como consumidores potenciais quem prefere pratos prontos congelados, pela praticidade e economia, quando comparados à despesa da alimentação fora de casa. E isso vale para quem mora sozinho, casais e famílias (considerando a individualidade de gosto de cada um).

Segundo informou, este momento, a Vivenda em Casa ainda não tem distribuição no canal indireto, pois não atua diretamente com o pequeno varejo. “Alcançaremos este canal à medida em que oficializarmos as microfranquias por região (por meio do e-commerce). O objetivo é distribuir a linha de produtos para os atacados, pequenos varejos, foodservice e cliente final”, destaca.

A empresa Finalizou, em novembro, a construção da nova plataforma digital Vivenda em Casa. O lançamento está previsto para dezembro deste ano com investimento de divulgação a partir de janeiro de 2019. “Temos mais de 1.500 cadastros já preenchidos, aguardando nosso contato para seleção de microfranquias. O investimento é a partir de R$ 50 mil reais e vamos analisar o perfil de cada um.”

Bebida saudável

Daniel Feferbaum, CEO da WNutritional, que produz bebidas funcionais e naturais, também enxerga o potencial do mercado single e o seu respectivo crescimento em todas as regiões. “Acreditamos que estamos vivendo uma mudança na sociedade, onde cada vez mais pessoas moram sozinhas. E isso ocorre com jovens e até quem está na melhor idade. Também vemos muitos casais sem filhos, reduzindo, dessa forma, o número de pessoas em casa. Entendemos que precisamos cada vez mais ficar atentos aos tamanhos e tipos de embalagens para atender essa demanda”.

Segundo informou, a procura por tamanhos menores, especificamente com a linha que atua, é opção para consumidores que não querem abrir uma embalagem de Life Mix litro, pois sabem que o produto irá ficar na geladeira. Como não tem conservantes, a bebida tem uma validade curta (de cerca de três dias, depois de aberta).

A venda de embalagens individuais gira em torno de 30% do total de vendas da empresa. “Estamos nesse momento lançando os chás Life Mix, em lata de 310 ml, para atender quem deseja consumir apenas uma dose do produto. Ainda temos os sucos funcionais Life Mix Bairro do Limoeiro e de baixa caloria, em embalagens Tetrapak de 200 ml, para atender esse mercado”, conta.

Fonte: NewTrade