Lojas de conveniência têm preços até três vezes maiores que em supermercados

Em Fortaleza, uma garrafa de água mineral pode ser até 237% mais cara numa loja de conveniência do que em um supermercado. Na ponta do lápis, paga-se o equivalente a três produtos e mais alguns trocados para levar apenas um. O POVO pesquisou, nesse fim de semana, os preços de oito produtos em oito estabelecimentos nos bairros Parquelândia, São João do Tauape, Fátima, Aldeota e Centro para observar a variação entre os valores praticados pelos estabelecimentos.

Em um dos supermercados, a água de 500 ml da marca Crystal custa R$ 0,89. No entanto, a aproximadamente 250 metros dali, o mesmo produto é vendido por R$ 3,00 na loja de conveniência de um posto de combustível, diferença de 237%, a maior identificada pela reportagem.

Já o preço da água com gás, por exemplo, variou até 233%, sendo vendida por valores que oscilavam de R$ 0,99 a R$ 3,30. O valor da Coca-Cola em lata (350 ml) apresentou diferença máxima de 96,5%, indo de R$ 2,29 a R$ 4,50.

Também foram consultados itens como goma de mascar, cerveja, isqueiro e papel higiênico. A menor diferença foi verificada entre os preços do Trident. Enquanto em um dos supermercado visitados o item custava R$ 1,95, na loja de conveniência mais próxima era vendido por R$ 1,95.

Nenhum dos produtos consultados nas lojas de conveniência apresentou valor igual ou inferior aos vendidos em supermercados. Segundo o economista Alex Araújo, os preços aplicados neste modelo varejista de negócio costumam ser mais altos por questões estruturais e de logística de mercado.

“Como a escala de produtos é menor, tem um custo maior manter o estoque com uma escala menor e maior variedade. Isso faz com que o preço seja mais elevado”, explica. Ele também destaca que o horário de funcionamento 24 horas e a localização geográfica das conveniências também são determinantes para encarecer as mercadorias. “O custo é mais alto pela praticidade que elas oferecem. Essa facilidade de estarem na rota do consumidor, disponível 24 horas, proporciona a possibilidade de pagar mais caro”, afirma.

De acordo com o Eduardo Serpa, gerente de Mercado e Comunicação da Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural), localizada no Rio de Janeiro, a escala puxa a oneração dos produtos. “O estoque tem um volume menor, mas tem um giro muito rápido, porque o lojista não pode ficar sem estoque, diferentemente dos supermercados, que podem armazenar mais. Isso faz com que a reposição seja semanal, o que sai mais caro”, explica.

“As cervejas, por exemplo, correspondem apenas por 4% das vendas do setor no Brasil. Já nos Estados Unidos, equivalem a 60%. Quando o mercado começa a ganhar escala, os preços ficam mais competitivos”, acrescenta. Ele explica que o setor tem investido em marcas próprias e em programa de fidelidades para baratear os itens.

Os critérios para a comparação das mercadorias foram o mesmo peso/tamanho e marca. Nos locais em que os itens não eram oferecidos ao consumidor, os valores não foram contabilizados. Exceto no caso da água mineral, quando foi levada em consideração a única oferta do mesmo produto de marcas diferentes. Os locais visitados foram definidos de acordo com a proximidade entre os dois tipos de estabelecimento.

Fonte: O Povo – Ceará