Intenção de consumo sobe com fatores macro

O processo de estabilização da inflação e a liberação de recursos do PIS/Pasep podem estimular a intenção de consumo das famílias no setor do comércio para setembro. Ainda que esse ânimo não tenha se convertido em compras efetivas, tais fatores devem resultar em maior demanda no segmento de bens duráveis.

De acordo com o indicador Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a disposição dos consumidores em gastar no em setembro aumentou 1,5% ante o mês anterior – chegando a 86,9 pontos. Vale lembrar que, segundo o indicador, todos os resultados abaixo de 100 pontos revelam a insatisfação do indivíduo frente à possibilidade de eventual consumo.

“Após o estrago da greve dos caminhoneiros, em maio, de duas retrações verificadas em junho e julho, a intenção de compra vem crescendo ainda de forma tímida”, afirmou o economista da entidade responsável pelo estudo, Antonio Chaves Júnior.

De acordo com ele, a alta para o mês de setembro “surpreendeu”, mas que o movimento positivo está relacionado “principalmente pelo fato de que os preços em agosto não apresentaram grande variação.” Para ele, a estabilidade da inflação e a percepção de alta na renda atual (2,5%) para indivíduos com renda de até dez salários mínimos podem fomentar o comércio de bens duráveis, mesmo que tal linha de produtos – como por exemplo eletrodomésticos e eletroeletrônicos – seja mais cara e resulte em possíveis endividamentos. “A liberação de recursos extraordinários devem injetar R$ 10,3 bilhões no comércio”, disse.

Questionado em relação à influência da escalada do dólar sobre o valor desse segmento de item, o economista argumenta que ainda existe certa morosidade para que esse efeito chegue ao preço final do consumidor. Além disso, Júnior ressalta que, para não comprometerem o desempenho das vendas, os varejistas de bens duráveis devem abrir mão de parte da margem a fim de não repassar a alta para o consumidor final. Ele pondera que esse processo deva se dar no curto prazo.

O economista mencionou também a estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB), deste ano (1,4%) em relação a 2017 (1%), como um aspecto que pode ter influenciado o ensaio de consumo.

Nesse sentido, Júnior afirma que o resultado do indicador é reflexo de um processo de “recuperação gradual” da economia. Segundo a pesquisa, as famílias da região Centro-Oeste são as que mais estão satisfeitas com o emprego atual, registrando 138,8 pontos. Já o Sudeste aparece em último lugar, com 107 pontos.

Já no que diz respeito ao acesso ao crédito, a insatisfação está em todas as regiões do Brasil, com destaque para o Norte, que teve retração de 3,5% entre setembro e agosto – chegando a 67,3 pontos. Em relação ao panorama geral das regiões do País com as maiores variações na intenção de consumo para setembro, o Sul e o Nordeste aparecem com alta de 3,1%.

Até o final do ano, a CNC salienta que “não são esperadas elevações acentuadas da intenção de consumo”. Exemplos dessa imprevisibilidade no médio prazo podem ser vistos nas recentes revisões da entidade sobre as perspectivas de crescimento anual do setor do varejo, de 4,5% para 4,3%.

Fonte: DCI