FMI: economia do Brasil deverá crescer 2,5% em 2019

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou de novo para baixo o crescimento da economia mundial em 2019, mas desta vez elevou ligeiramente a estimativa para a expansão da economia brasileira. Em projeções atualizadas, apresentadas nesta segunda-feira, em Davos, na Suíça, o Fundo aponta expectativa de crescimento de 2,5% da economia brasileira em 2019, ou +0,1 ponto percentual em relação à projeção de outubro — pouco, mas positivo comparado às sucessivas rebaixas dos últimos anos.

Para 2020, o fundo projeta expansão menor, de 2,2% da atividade no Brasil. Com relação a 2018, sua estimativa é de que a economia brasileira só cresceu 1,3%, ou -0,1 ponto percentual comparado à projeção de outubro.  De acordo com o Panorama Econômico Mundial, o crescimento global será de 3,5% este ano e de 3,6%, em 2020, abaixo dos 3,7% estimados para 2018.

Nas projeções atualizadas que apresentou nesta segunda-feira em Davos, antecedendo o encontro anual do Fórum Econômico Mundial, o FMI observa que a gradual recuperação no Brasil da recessão de 2015-2016 é esperado continuar. Em todo caso, o crescimento do Brasil é mais ou menos a metade da expansão média dos emergentes, impulsionados pela China (6,2%, em 2019) e pela Índia (7,5%).

Além disso, a melhora no Brasil compensa só parcialmente a situação na América Latina, diante de menor perspectiva de crescimento no México, refletindo menor investimento privado; na Venezuela, onde a contração da economia será mais severa do que antecipado; e na Argentina, onde a economia sofrerá contração no rastro de endurecimento de políticas que afetam a demanda doméstica, antes de voltar a crescer em 2020.

Expansão global desacelera

Sem surpresa, o FMI mostra que a expansão global desacelerou. O crescimento mundial para 2018 é estimado em 3,7%, como calculado em outubro do ano passado. Mas o desempenho mais fraco no terceiro trimestre, sobretudo na Europa e na Ásia, derruba a projeção de 2019 para 3,5% e para 3,6%, em 2020, representando 0,2 e 0,1 ponto percentual abaixo das projeções anteriores.

Isso é resultado de desempenho decepcionante em algumas economias, por causa de diferentes fatores, como novo padrão de emissão de gases nos automóveis na Alemanha, desastres naturais no Japão. E isso ocorreu tendo como pano de fundo o sentimento menos positivo dos mercados financeiros, incertezas na área comercial com o persistente conflito entre os EUA e a China, e preocupações com as perspectivas econômicas chinesas.

Os riscos para o crescimento global aumentam, se houver escalada das tensões comerciais além do que já foi incorporado nas projeções. Também há preocupações com riscos na Itália que pesam sobre a demanda doméstica. A economia da Turquia sofreu contração mais profunda do que projetada antes. Fora dos EUA, a produção industrial desacelerou, sobretudo bens de capital. O crescimento do comércio mundial desacelerou para nível abaixo de 2017.

Em suas projeções, o FMI calcula que o preço do barril de petróleo ficará abaixo de US$ 60 em 2019 e 2020, menor que os US$ 69 e US$ 66, respectivamente estimados antes. Os preços dos metais podem declinar 7,4% em 2019, uma baixa maior que antecipada em outubro. As projeções de preços da maioria das commodities agrícolas foram revisadas ligeiramente para baixo.

Para Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo, a prioridade no momento é que os países decidam cooperar e rapidamente resolvam suas disputas comerciais, em vez de elevar ainda mais as barreiras e desestabilizar uma economia global já em desaceleração.

A avaliação é de que em todas as economias são imperativas medidas para impulsionar o crescimento do produto potencial, aumentar a inclusão e fortalecer os colchões fiscais e financeiros em um ambiente de alta carga de endividamento e condições financeiras mais rígidas.

Fonte: O Globo – Rio de Janeiro