Eletros estima aumento de 10% a 15% nas vendas este ano

José Jorge do Nascimento Júnior, presidente da Eletros

Bacharel em administração e especialista em comércio exterior pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), José Jorge do Nascimento Júnior assumiu o posto de presidente da Eletros – Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, em junho último. Ex-secretário de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas e coordenador geral de projetos industriais da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), ele pretende estreitar as relações com parceiros e com o governo, aumentar o número de associados e, principalmente, fortalecer a voz do setor produtivo, como diz nesta entrevista para Eletrolar News.

Quais os principais itens de sua pauta à frente da Eletros?

José Jorge do Nascimento Júnior – A garantia de segurança jurídica para os investimentos, tanto brasileiros como estrangeiros, e o fortalecimento da indústria eletroeletrônica e da sua importância no desenvolvimento econômico do País. A Eletros reúne 30 associadas, com 47 fábricas, que geram 125 mil empregos, entre diretos e indiretos, está presente em 11 Estados e 29 cidades brasileiras, logo sua percepção sobre a política industrial brasileira tem que ser ainda mais considerada pelos agentes do poder público, por exemplo.

Frete mais caro é um entrave grande para o setor?

JJ – Ele dificulta a retomada do crescimento justamente no momento em que vínhamos com o reaquecimento da economia. É enorme o impacto negativo decorrente da tabela de preço mínimo do frete rodoviário. O frete é um componente importante na composição do custo de um produto e o seu encarecimento dificulta o oferecimento de produtos com preços mais acessíveis ao consumidor final.

Os reflexos da insegurança jurídica afetam as vendas?

JJ – Sim, mas não somente as vendas. O investidor precisa de um ambiente onde estejam asseguradas as regras estabelecidas na integralidade, sem mudanças radicais. E o consumidor, desconfiado com os últimos anos de forte crise econômica pelo qual o País passou, agora somente realiza compras com a certeza de que o ambiente está favorável. Sem isso, não temos investimentos tão importantes para a economia, e o consumidor pode vir a se retrair na sua decisão de compra.

Incentivo fiscal é indicado para as empresas do setor?

JJ – Sim. As políticas de incentivos fiscais promovem o desenvolvimento de atividades, segmentos, setores da economia ou regiões, buscando, principalmente, a geração de emprego, renda e o crescimento econômico.

Neste ano eleitoral, como será a atuação da Eletros?

JJ – Esta será uma eleição importante. Identificamos o perfil de cada candidato a presidente e a governador dos Estados aonde temos empresas associadas instaladas e apresentaremos uma pauta a todos com as nossas propostas. Não queremos apenas ser pautados. Ou seja, queremos ser ouvidos e colaborar na construção das políticas econômicas; andar juntos. Sabemos da importância do nosso setor, ele representa 3,34% do PIB industrial brasileiro.

Qual sua expectativa em relação aos futuros governantes?

JJ – Que tenham atitude para mudar, para melhor, a realidade que vivemos. A imagem do País está desgastada no exterior, a população está descrente de parte dos representantes, e isso deixa o ambiente desfavorável. É preciso colocar o Brasil em um ambiente econômico, político e social mais saudável.

O aumento das exportações é uma saída para as empresas que estão no País?

JJ – Sim. Novos mercados são sempre procurados pelas empresas. Para exportar, é preciso, além de um sistema menos burocrático, uma estrutura logística condizente, e o nosso País precisa melhorar muito nessa área. A indústria tem capacidade, tem ousadia, mas não encontra condições competitivas para enviar seus produtos ao exterior. Diante disso, foca-se abastecer o mercado interno, mas com capacidade produtiva e vontade de exportar.

Qual expectativa o senhor tem de sua gestão?

JJ – A meta é manter a importância da Eletros na economia do País e o segmento bem representado; atuar dentro da lógica de que ações e atitudes são boas quando satisfazem a todos os lados envolvidos na questão; defender os direitos dos associados e aumentar a quantidade deles em 20% a 30%, no médio prazo, pois temos muitas indústrias com importância nacional e regional que ainda não são nossas associadas.

O fato de ter sido secretário de Planejamento do Amazonas pode ajudá-lo na condução da associação?

JJ – Acredito que sim. Conheço a visão do gestor público, e isso muito ajudará nas relações institucionais com os governos e nas discussões para o estabelecimento de políticas públicas para a indústria brasileira e em especial para a de eletroeletrônicos.

Qual deverá ser o crescimento das vendas da indústria de eletros este ano?

JJ – Acredito que ficará em torno de 10% a 15% acima do registrado no ano passado. No primeiro trimestre do ano, a produção de televisores cresceu 46% ante o mesmo período de 2017. O setor também tem uma expectativa de elevar as vendas com a mudança do sinal de TV que migra do analógico para o digital.

Fonte: Redação Eletrolar News