Cinco tendências para o mundo digital em 2019

Uma coisa é certa: 2018 foi um ano confuso e repleto de mudanças. Basta olhar para a política, o esporte e a cultura. E, claro, o mundo da tecnologia e da internet não foi exceção. E a impressão que fica é a de que todo ano nos atropela mais do que o anterior com suas novidades ou transformações. Com 2019, o prognóstico deve ser o mesmo. E ninguém gostas de ficar para trás nas notícias ou tendências que dominam o noticiário. Assim, separei cinco questões que provavelmente vão ser muito debatidas no ano que vem e podem te ser bastante úteis tanto para o que diabos todo mundo vai estar falando.

1 – Novos mercados destroçados pela Amazon

2018 foi o ano da queda de algumas das maiores livrarias do Brasil, nominalmente a Saraiva e Cultura. Não foram poucos os motivos para isso, incluindo má administração de ambas as empresas. Mas um fator impossível de ignorar é a entrada voraz da gigante de vendas americana no nosso mercado nacional de livros. Nos últimos anos, a Amazon se posicionou agressivamente por aqui , oferecendo intermináveis descontos, fretes gratuitos e benefícios que são impossíveis de serem batidos pela concorrência.

Há quem diga que o comportamento da Amazon é “disruptivo” e positivo para os consumidores.Outros argumentam que a gigante do varejo online é uma força destruidora de mercados . Seja qual for o seu ponto de vista, uma coisa é certa: não há porque a Amazon parar nos livros. Sua loja brasileira vende video-games, ferramentas, roupas e objetos para a casa. Dependendo do investimento da gigante por aqui, 2019 pode marcar o abalo de outros mercados nacionais.

2 – Cobrança por transparência das gigantes da tecnologia

As eleições deste ano escancararam um problema grave, antigo e recorrente das gigantes da tecnologia: a falta de transparência sobre suas práticas. Por aqui, a questão ficou evidente pela pouca ou nenhuma colaboração de Facebook e Google durante as incontáveis polêmicas envolvendo suas redes sociais e serviços.

Mas, ainda que muito cobradas aqui e no exterior — Mark Zuckerberg virou figura carimbada no Congresso americano para depor — pouco parece ter mudado nas práticas dessas empresas . Só que agora o público percebe cada vez mais os efeitos nocivos desse silêncio. Resta saber se o Vale do Silício vai sentir no bolso o impacto de sua falta de abertura e repensar suas ações em 2019.O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, depondo ao Congresso americano, em abril de 2018.

3 – A terceirização completa das compras

É quase impossível ir ao centro de alguma de metrópoles como o Rio e São Paulo sem se deparar com uma legião de jovens entregadores de aplicativos como Rappi e Glovo. Ambas fazem parte de uma leva de empresas que “mudar” o conceito de delivery : entrega de farmácias e restaurantes são batidas, o negócio agora é fazer entregas de qualquer objeto pelo celular.

A ideia, que parece prática, mostra uma tendência perigosa. Ao desvincular completamente os entregadores de empresas tradicionais (como os motoboys de restaurantes), esses apps precarizam as condições de trabalho dos seus “colaboradores”. Oferecendo preços módicos para serviços muito atraentes numa era de ciclos intermináveis para todas as pessoas, os Glovo e Rappi prometem estourar de vez no ano que vem. Resta ver as consequências para ses “funcionários”.

4 – Streaming fragmentado

É bem possível que 2019 seja o ano em que a Netflix tenha que ralar para manter sua audiência no Brasil. A promessa do lançamento de um serviço da Disney — com seu catálogo chamativo — significa não só um novo concorrente, mas a saída de parte do conteúdo que mais converte assinantes na Netlifx. De quebra, a Amazon tem crescido paulatinamente por aqui, e a Globo já começou a adquirir direitos de transmissão de séries importantes como “Handsmaid’s Tale” e “The Good Doctor”. Isso sem falar na HBO Go e outros concorrentes de nicho, como o Crunchyroll, dedicado às animações japonesas, e o MUBI, focado em cinema alternativo.

5 – Deep Fake

Dos itens citados, essa é a maior incógnita. O Deep Fake é um tipo de tecnologia de manipulação de imagem que permite a criação de vídeos falsos representando pessoas de verdade com um altíssimo grau de fidelidade. Ainda que experimental, o Deep Fake foi utilizado repetidas vezes esse ano em demonstrações impressionantes. E não é difícil imaginar que há muita gente interessada no aperfeiçoamento dessa tecnologia para usos, digamos, escusos. Na política brasileira não faltariam exemplos. Há, inclusive, a possibilidade de que já estejamos expostos a mais conteúdo feito com Deep Fakes do que sequer sabemos. Então, em 2019, lembre-se: olho aberto no que você por aí.

Fonte: O Globo