63% trabalham com celular fora da empresa

Pelo menos seis em cada dez brasileiros costumam utilizar smartphones para fins profissionais mesmo fora do horário de trabalho. Por outro lado, mais de 70% resolvem questões pessoais através do aparelho durante o expediente.

A conclusão é de estudo conduzido pela Deloitte em 22 países; no Brasil foram ouvidos duas mil pessoas. Destas, 33% afirmam que “muito frequentemente” trabalham de forma remota a partir do smartphone. Para outros 30%, a prática é frequente.

Sócia-líder da indústria de tecnologia, mídia e telecomunicações na consultoria, Marcia Ogawa classificou a postura como uma “simbiose”. De acordo com ela, a tendência – que ainda deve crescer – guarda tanto aspectos positivos quanto negativos.

“Muitas empresas estão fazendo movimento de fazer com que profissionais possam usar celulares [durante o expediente] para efeitos de aumento de produtividade ou para dar maior flexibilidade ao trabalhador”, avaliou.

A prática, contudo, pode gerar um ambiente de distração indesejado: segundo a Deloitte, os brasileiros que “muito frequentemente” usam o smartphone para fins pessoais durante o trabalho bateu 39%. Outros 37% declararam fazer o mesmo com frequência. Já 43% admitem se distrair das funções profissionais por conta da utilização do aparelho.

Tal postura entre os brasileiros ainda aponta para o uso excessivo dos dispositivos móveis – que, segundo a Deloitte, preocupa os próprios usuários. Entre as mulheres, 55% acreditam utilizar o smartphone em excesso, frente 44% entre os homens. No caso da faixa etária entre 18 e 24 anos, 60% fazem o mesmo diagnóstico. “O uso intensivo do celular ainda vai ser potencializado com a chegada do 5G”, pontuou Marcia Ogawa. “Esse é um caminho sem volta”.

Aparelhos

De acordo com a Deloitte, o smartphone é “de longe” o aparelho mais utilizado no País. Em 2018, a penetração do device atingiu 92% (alta anual de cinco pontos percentuais). Em seguida surgem os notebooks (70%) e computadores de mesa (64%).

No caso das smart TVs, a penetração também atingiu 64% em 2018; em 2015, apenas 28% contavam com o aparelho. A pesquisa da Deloitte ainda apontou para um crescimento na popularidade das soluções domésticas de internet das coisas (IoT).

“Estamos percebendo o IoT entrando nas casas. [Produtos como] sistemas de vigilância conectados não eram tão evidentes no Brasil, mas estão começando a ficar”, analisou Marcia Ogawa. Entre os respondentes da Deloitte, 14% afirmaram possuir a tecnologia, ante 11% um ano atrás.

O mesmo salto foi registrado entre aparelhos domésticos inteligentes (de 11% para 14%) e sistemas de iluminação conectados (5% para 7%). No caso dos tesmostatos, não foi constatado aumento no uso.

Aplicativos

Entre os apps, o campeão de popularidade no País foi o polêmico WhatsApp: 80% dos brasileiros afirmaram acessar a ferramenta de mensageria pelo menos uma vez por hora. Em seguida veio o Facebook, com 52% reportando tal frequência.

Em 2018, os aplicativos que registraram queda na frequência de uso foram o Facebook Messenger (-2 pontos percentuais), o Skype (-1 p.p.) e o Snap (-1 p.p.). Do outro lado, o Instagram ganhou nove pontos percentuais em popularidade, segundo a Deloitte. O salto foi impulsionado pelo sucesso da ferramenta Stories.

Fonte: DCI